8 de novembro de 2007

anotação VI

Todos somos maus, melhor, todos somos um monte de esterco: cada um de nós é a mais hedionda peça de porcaria que a superfície da Terra já teve o desprazer de ver. No entanto há quem se aproveite, há trigo no meio do joio. Há quem tenha vergonha da sua sórdida condição, há quem a conheça e odeie: essas são o trigo, são aquelas que travam duras batalhas contra si mesmas, contra a sua tendência para o egoísmo e para a inveja. Essas merecem respeito: tentar ser bom num mundo mau é de uma lucidez transcendental.

4 de novembro de 2007

Trechos

Ultimamente não me tem apetecido escrever aqui. Não sei porquê. Por isso decidi deixar aqui dois trechos da minha autoria, coisas que tinha para aqui escritas e que acho que estão aceitáveis: não têm muitos erros ortográficos nem de sintaxe portanto devem servir.

10 Outubro 2007
"As pessoas não pensam, têm pudor de pensar. Mas o pior é o facto de quererem que os outros também sejam pudicos para com o pensamento e o facto de escarnecerem daqueles que pensam, fazendo-os crer que viver acriticamente é a melhor maneira de viver. Malditos sejam!"

11 Outubro 2007
"As pessoas continuam indiferentes à sua degradação. Ninguém quer saber do mundo nem dos outros, nem mesmo de si. A única coisa que lhes interessa é o que têm e o que podem mostrar que têm. O resto é perda de tempo!
Loucos! Espero que acabem todos mal!"

Depois disto provavelmente estás a pensar que sou um presunçoso: "Ah, tá aí armado em bom, como quem vem aqui fazer favores." Mas não. Não deixei os textos para fazer favores nem para me armar. Deixei os textos porque hoje, além de não me apetecer escrever sobre os outros, estou-lhes com raiva e nojo, por isso procurei textos em que essa raiva estivesse pintada. E é precisamente por atitudes como essas, por juízos irreflectidos e apressados que eu fico chateado. Pensem o que quiserem, mas não atirem publicamente injúrias sem antes as terem devidamente fundamentado. Mania!

1 de novembro de 2007

Fiéis? E que fiéis!

Chamem-me exagerado. Eu aceito humildemente porque provavelmente é que eu sou, mas tenho razões para agir assim.
Perfume e pétalas para todos, quer sejam flores quer sejam pessoas, o que interessa é que seja tudo caro e que patenteie o máximo de fidelidade e de devoção. É assim que gosto de ver as pessoas, apinhadas, nos cemitérios! Um dia em que só se ouviam ciciar orações fervorosas, em que toda a gente vestia de saudade e pesar transforma-se, quase que por magia (e que magia!) em mais um evento social onde se criam novos boatos e onde a ordem de trabalho é falar de tudo menos dos que, de olhos fechados e a federem, repousam no silêncio telúrico.
Gosto de pensar que, em vernáculo, todos eles não passam de exibicionistas!

30 de outubro de 2007

anotação V

Paixão e Ódio: aparentemente tão diferentes que por pouco não são iguais!

29 de outubro de 2007

sem título

E o Homem estremeceu quando lhe disseram que nunca poderia ser feliz.
O suicídio conheceu números nunca antes vistos, milhares terminavam voluntariamente com a sua vida todos os dias: uns porque diziam que não valia a pena viver outros porque nunca chegaram a viver e aproveitavam para assumir a sua condição. No meio destes todos, poucos permaneceram, uns eram doentes outros eram velhos outros eram desterrados outros infelizes por natureza.

Este hedonismo actual é pernicioso. Temos que saber viver infelizes porque a verdadeira felicidade é, invariavelmente, infelicidade; porque a felicidade é inalcançável, não passa de uma miragem num deserto de infelicidade e sofrimento.

27 de outubro de 2007

Pela mão de Prometeu ou Uma Certeza Ígnea

De tudo o que faço, queria fazê-lo como o fogo.
Queria ter a certeza que ele tem quando queima,
Sem hesitações, sem medos, sem receios.

Lançar-me cauterizante ao caminho
Fazê-lo colhendo tudo à minha passagem,
E atingir o objectivo com o rubor do orgulho

Eu queria ser como o fogo
Ser espontâneo e indómito, ser convicto e ser seguro.
Eu queria ser como o Fogo,
E daquilo que faço, estar igneamente certo!

26 de outubro de 2007

Anotoção IV

Quem tem uma vida votada ao trabalho, tem o intervalo para se divertir.
Quem dedica a vida ao divertimento... o que faz no intervalo?

23 de outubro de 2007

Hoje, dia sem sol

Hoje o tempo parou. Só o relógio marcou inexoravelmente o tempo. Mas o tempo não passa só porque os ponteiros se mexem. O tempo tem vontade própria que transcende os ponteiros e os mecanismos do relógio. E por isso digo que hoje o tempo parou. Hoje ficou melancolicamente deitado nas nuvens vespertinas, como que cansado, como que espantado a olhar para nós. Continuamos a nossa vida, mesmo com ele parado, mesmo com ele a dar-nos um momento de descanso. Hoje pareceu-me tudo sem sentido; tudo se movia como peixes que nadam sem mar. O tempo não estava lá...
Foi esquisito, mas hoje, dia sem sol, o tempo parou!

21 de outubro de 2007

Poesia

Manhã por David Mourão-Ferreira

A nossa noite de ontem à tarde
foi a manhã por que esperávamos

20 de outubro de 2007

Cada coisa no seu lugar

Ridículos. Dignos de total escárnio. Sim. Vocês. Sempre à procura de amor, sempre atrás de companhia, desesperadamente em busca de paixão. Qual é o vosso problema com a solidão?
Qual é o problema que o mundo tem hoje em viver sozinho? Parece que a solidão morde porque toda a gente foge dela a sete ou oito pés. E depois fazem coisas dignas de dó, puro e total dó. Vocês, sempre atrás de alguém que preencha o vosso espaço, a forçarem algo que muitas vezes não deve acontecer. Mas o pior de tudo isto, de toda esta falta de discernimento é que em vez de pensarem com a cabeça, pensam com o coração.
E o coração serve apenas para bombear sangue para todo o corpo, nada mais!

19 de outubro de 2007

Anotação III

Abundam demonstrações de riqueza!
Miseráveis!... os mais pobres são eles!

12 de outubro de 2007

anotação II

O corpo já é perfeito; para quê querer aperfeiçoa-lo mais? Aperfeiço-a o teu carácter, que isso é a única coisa imperfeita e causadora de imperfeições neste mundo!

Anotação

A felicidade deixa-nos tão vulneráveis.

10 de outubro de 2007

Invidia

Quando olhamos para os outros e os vemos a triunfar, a primeira coisa que fazemos é esta: amaldiçoar a vida porque tem sido injusta connosco; e a segunda é esta: invejar o bem sucedido.
Penso que fazemos isto pela mesma razão que nos leva a preferir um elevador a umas escadas: é a opção mais simples. Sim, porque é extremamente difícil não se sentir nada relativamente a alguma coisa, todos sentimos (embora alguns não o exteriorizem) e sendo assim, a inveja é o sentimento mais cómodo que podemos agarrar para fazermos o nosso papel de seres com sentimentos.

Somos invejosos por malandrice!

9 de outubro de 2007

Hormonas

A testosterona torna os machos tão previsíveis...

Se eles soubessem, envergonhavam-se de cederem tantas vezes a ela!

Accendere discordiam

O optimismo sistemático irrita-me. É intoleravelmente pouco racional!

8 de outubro de 2007

Comum

Basta olhar duas ou três vezes para o magote de pessoas que nos rodeiam: os jovens, quanto mais homens e mulheres querem parecer, menos parecem. Mas continuam a querer parecer. E é isso que os torna jovens.

Não será pois a juventude uma tentativa de imitar a idade adulta?

6 de outubro de 2007

Lamento

Calmos são os olhares que deito à humanidade e exasperada é a impressão com que fico. A vulgaridade está a tomar conta de tudo e ao que parece, toda a gente a recebe de braços abertos, sem a mínima vontade de a combater. É vergonhosa esta complacência para com a mediocridade. Que se tomem atitudes, que se lute sozinho, mas que nunca se deixe que a corrente indolente da estupidez, da banalidade e da parvoíce nos tome.

Porque o problema não é a perfeição ser um ideal inalcançável, o problema é não haver quem tenha ideais!

1 de outubro de 2007

Curioso

Não que eu seja um especialista em politica internacional, porque não sou nem o pretendo, mas hoje li uma coisa que achei curiosa. Foi aprovado em parlamento iraniano que a CIA e o Exército Americano passariam a ser consideradas organizações terroristas, numa resposta à medida americana que atribui a mesma designação aos Guardas Revolucionários do Irão.
Os EUA têm-se destacado nos últimos anos pelo combate ao terrorismo, agora eu pergunto, como é que eles vão responder a isto? Será que se vão atacar a eles mesmos ou vão alegar que para eles a máxima "o fogo combate-se com o fogo" esteve sempre na base de todas as suas estratégias?

Acredito seriamente que o que escrevi seja completamente descabido, havendo com certeza muitos factos por detrás disto, desconhecidos por mim, que testemunham a favor da minha estupidez e insipiência política, mas adiante. Se por acaso estiver desse lado alguém que se tenha ofendido com tamanha parvoíce, apresento desde já as minhas desculpas acompanhadas por um conselho: não voltes cá, vais-te sentir muitas vezes assim.

Hoje

Hoje começou o programa Cantando e Dançando Por um Casamento de Sonho. É engraçado verem-se coisas destas na televisão. Quando se pensa que a TVI, ou melhor, as estações privadas de televisão, não podem fazer nada mais deplorante, quando se pensa que já bateram no fundo do poço da vulgaridade e da estupidez, eis que nos brindam com mais uma "original" produção!