30 de outubro de 2007

anotação V

Paixão e Ódio: aparentemente tão diferentes que por pouco não são iguais!

29 de outubro de 2007

sem título

E o Homem estremeceu quando lhe disseram que nunca poderia ser feliz.
O suicídio conheceu números nunca antes vistos, milhares terminavam voluntariamente com a sua vida todos os dias: uns porque diziam que não valia a pena viver outros porque nunca chegaram a viver e aproveitavam para assumir a sua condição. No meio destes todos, poucos permaneceram, uns eram doentes outros eram velhos outros eram desterrados outros infelizes por natureza.

Este hedonismo actual é pernicioso. Temos que saber viver infelizes porque a verdadeira felicidade é, invariavelmente, infelicidade; porque a felicidade é inalcançável, não passa de uma miragem num deserto de infelicidade e sofrimento.

27 de outubro de 2007

Pela mão de Prometeu ou Uma Certeza Ígnea

De tudo o que faço, queria fazê-lo como o fogo.
Queria ter a certeza que ele tem quando queima,
Sem hesitações, sem medos, sem receios.

Lançar-me cauterizante ao caminho
Fazê-lo colhendo tudo à minha passagem,
E atingir o objectivo com o rubor do orgulho

Eu queria ser como o fogo
Ser espontâneo e indómito, ser convicto e ser seguro.
Eu queria ser como o Fogo,
E daquilo que faço, estar igneamente certo!

26 de outubro de 2007

Anotoção IV

Quem tem uma vida votada ao trabalho, tem o intervalo para se divertir.
Quem dedica a vida ao divertimento... o que faz no intervalo?

23 de outubro de 2007

Hoje, dia sem sol

Hoje o tempo parou. Só o relógio marcou inexoravelmente o tempo. Mas o tempo não passa só porque os ponteiros se mexem. O tempo tem vontade própria que transcende os ponteiros e os mecanismos do relógio. E por isso digo que hoje o tempo parou. Hoje ficou melancolicamente deitado nas nuvens vespertinas, como que cansado, como que espantado a olhar para nós. Continuamos a nossa vida, mesmo com ele parado, mesmo com ele a dar-nos um momento de descanso. Hoje pareceu-me tudo sem sentido; tudo se movia como peixes que nadam sem mar. O tempo não estava lá...
Foi esquisito, mas hoje, dia sem sol, o tempo parou!

21 de outubro de 2007

Poesia

Manhã por David Mourão-Ferreira

A nossa noite de ontem à tarde
foi a manhã por que esperávamos

20 de outubro de 2007

Cada coisa no seu lugar

Ridículos. Dignos de total escárnio. Sim. Vocês. Sempre à procura de amor, sempre atrás de companhia, desesperadamente em busca de paixão. Qual é o vosso problema com a solidão?
Qual é o problema que o mundo tem hoje em viver sozinho? Parece que a solidão morde porque toda a gente foge dela a sete ou oito pés. E depois fazem coisas dignas de dó, puro e total dó. Vocês, sempre atrás de alguém que preencha o vosso espaço, a forçarem algo que muitas vezes não deve acontecer. Mas o pior de tudo isto, de toda esta falta de discernimento é que em vez de pensarem com a cabeça, pensam com o coração.
E o coração serve apenas para bombear sangue para todo o corpo, nada mais!

19 de outubro de 2007

Anotação III

Abundam demonstrações de riqueza!
Miseráveis!... os mais pobres são eles!

12 de outubro de 2007

anotação II

O corpo já é perfeito; para quê querer aperfeiçoa-lo mais? Aperfeiço-a o teu carácter, que isso é a única coisa imperfeita e causadora de imperfeições neste mundo!

Anotação

A felicidade deixa-nos tão vulneráveis.

10 de outubro de 2007

Invidia

Quando olhamos para os outros e os vemos a triunfar, a primeira coisa que fazemos é esta: amaldiçoar a vida porque tem sido injusta connosco; e a segunda é esta: invejar o bem sucedido.
Penso que fazemos isto pela mesma razão que nos leva a preferir um elevador a umas escadas: é a opção mais simples. Sim, porque é extremamente difícil não se sentir nada relativamente a alguma coisa, todos sentimos (embora alguns não o exteriorizem) e sendo assim, a inveja é o sentimento mais cómodo que podemos agarrar para fazermos o nosso papel de seres com sentimentos.

Somos invejosos por malandrice!

9 de outubro de 2007

Hormonas

A testosterona torna os machos tão previsíveis...

Se eles soubessem, envergonhavam-se de cederem tantas vezes a ela!

Accendere discordiam

O optimismo sistemático irrita-me. É intoleravelmente pouco racional!

8 de outubro de 2007

Comum

Basta olhar duas ou três vezes para o magote de pessoas que nos rodeiam: os jovens, quanto mais homens e mulheres querem parecer, menos parecem. Mas continuam a querer parecer. E é isso que os torna jovens.

Não será pois a juventude uma tentativa de imitar a idade adulta?

6 de outubro de 2007

Lamento

Calmos são os olhares que deito à humanidade e exasperada é a impressão com que fico. A vulgaridade está a tomar conta de tudo e ao que parece, toda a gente a recebe de braços abertos, sem a mínima vontade de a combater. É vergonhosa esta complacência para com a mediocridade. Que se tomem atitudes, que se lute sozinho, mas que nunca se deixe que a corrente indolente da estupidez, da banalidade e da parvoíce nos tome.

Porque o problema não é a perfeição ser um ideal inalcançável, o problema é não haver quem tenha ideais!

1 de outubro de 2007

Curioso

Não que eu seja um especialista em politica internacional, porque não sou nem o pretendo, mas hoje li uma coisa que achei curiosa. Foi aprovado em parlamento iraniano que a CIA e o Exército Americano passariam a ser consideradas organizações terroristas, numa resposta à medida americana que atribui a mesma designação aos Guardas Revolucionários do Irão.
Os EUA têm-se destacado nos últimos anos pelo combate ao terrorismo, agora eu pergunto, como é que eles vão responder a isto? Será que se vão atacar a eles mesmos ou vão alegar que para eles a máxima "o fogo combate-se com o fogo" esteve sempre na base de todas as suas estratégias?

Acredito seriamente que o que escrevi seja completamente descabido, havendo com certeza muitos factos por detrás disto, desconhecidos por mim, que testemunham a favor da minha estupidez e insipiência política, mas adiante. Se por acaso estiver desse lado alguém que se tenha ofendido com tamanha parvoíce, apresento desde já as minhas desculpas acompanhadas por um conselho: não voltes cá, vais-te sentir muitas vezes assim.

Hoje

Hoje começou o programa Cantando e Dançando Por um Casamento de Sonho. É engraçado verem-se coisas destas na televisão. Quando se pensa que a TVI, ou melhor, as estações privadas de televisão, não podem fazer nada mais deplorante, quando se pensa que já bateram no fundo do poço da vulgaridade e da estupidez, eis que nos brindam com mais uma "original" produção!

29 de setembro de 2007

Rectidão

Ninguém sabe o quanto me custa cair na vulgaridade de fazer um post só para derramar palavras de outrem.


Poema em Linha Recta de Álvaro de Campos

Nunca conhecí quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasito,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe —todos eles príncipes— na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não uni pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ô príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que hà gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos —mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

22 de agosto de 2007

Defeitos

Um dos meus inúmeros problemas reside no facto de eu ser instantâneo. As coisas aparecem com a mesma rapidez com que desaparecem na minha cabeça. Há coisas às quais não dou a menor importância e há outras coisas que acho que têm potencial. Quando encontro estas últimas, na maior parte das vezes e quando dignas de partilha, exponho-as aqui. O mais recente excesso de velocidade na minha cabeça foi uma clarificação do conceito que hoje em dia o senso comum tem de “defeito humano”.

Por definição, um defeito é algo que, comparado com um modelo (o mais próximo da perfeição quanto possível), apresenta diferenças. Talvez seja uma definição um tanto ao quanto redutora e simplista, mas cabe ao leitor pensar nisso (e a mim também numa fase posterior). Ora, tento em conta que socialmente costumamos distinguir as características das pessoas entre virtudes e defeitos, surgiu-me algo que achei curioso. Vejamos, é comum considerarmos geralmente o egoísmo, a falta de escrúpulos e a indiferença perante a possibilidade de matar alguém (p.e.) como defeitos. Mas, posso garantir que estes presumíveis defeitos podem dar origem, independentemente da intenção que os precede, a boas acções, a acções que promovam o bem-estar de terceiros. Imaginemos três indivíduos, cada um deles com cada um dos defeitos que referi anteriormente; consideremos também que cada um deles tinha esse defeito isoladamente, por outras palavras, cada um deles teria apenas um dos que referi, por exemplo, um indivíduo egoísta não poderia deixar de ter escrúpulos. Postas estas condições, consideremos as seguintes possibilidades:

1 - o egoísta encontra-se sentado num banco de jardim, calmamente, a desfrutar de uma sandes. Entretanto, aproxima-se dele um jovem que lhe pede encarecidamente algo que comer. Como tem noção da necessidade por que passa o jovem ele dá-lhe a sua sandes. Este acto foi movido pelo seu egoísmo: como não queria chegar a casa e sentir-se mal por não ter ajudado quem precisava, ele preferiu dar a sandes, e suportar a partilha, do que não dar e suportar o sentido de culpa. Porque o egoísta não tem necessariamente de ser desprovido de sentimentos, pode ser alguém que gosta de ter um lugar só seu, um conjunto de bens os quais quer só para si. (para clarificar esta ideia seria precisa uma longa dissertação acerca do egoísmo, coisa que não vou fazer, não só por não conseguir, mas também porque mesmo que tentasse tornar-se-ia longa e enfadonha).

2 - o homem sem escrúpulos é polícia. A sua divisão encontra-se ocupada com um perigoso grupo ligado à máfia. Ele, como não tem escrúpulos, oferece-se para tentar uma infiltração com o objectivo recolher informações que ajudem a desmantelar toda a rede de malfeitores. A sua falta de escrúpulos, embora muitas vezes usada em situações menos lícitas, é nesta caso preponderante para que tenha sucesso na sua missão e consiga salvar muitas vidas que estejam à mercê da mão impiedosa da máfia.


3 - o homem que não tem problemas em matar vive num mundo com dois países. Um país onde há liberdade e um país onde não há. O primeiro quer libertar o segundo da opressão e para isso precisa de um homem capaz de suprimir o ditador que mantém refém o segundo país. O nosso homem é destacado e deste modo salva milhares de pessoas de uma vida pautada pelo eminente medo de serem mortas pelo déspota não tolerante.


Embora rebuscados e cobertos de suposições mirabolantes, estes exemplos procuram demonstrar que os defeitos podem dar origem a boas atitudes, ou melhor, a acções que promovam o bem-estar de terceiros. É claro que não se tratam apenas de defeitos no conjunto das características humanas que permitiram tal acção, mas a questão é que houve uma boa acção, houve algo que beneficiou outras pessoas.
É incontestável que todos temos virtudes e defeitos, mas muitas vezes os nossos defeitos, quando acoplados com alguma virtude ou algum interesse que tenhamos, geram boas acções. A minha intenção não é discutir até que ponto é mais importante o resultado do que a intenção, isso é uma discussão que me perturba porque eu mesmo a tenho comigo, a minha intenção é mostrar que, tendo em conta o que é um defeito, está errado dizermos que o ser humano tem defeitos (pelo menos os de carácter) porque estes podem dar origem a boas acções, acções que, quando comparadas com o modelo de perfeição que temos, são totalmente idênticas. Acho portanto que talvez fosse melhor, não só como atenuante para aqueles com um carácter auto destrutivo, passarmos a dividir as características humanas entre coisas melhores e coisas menos boas, porque, e isto sem exemplos porque seriam bem mais esquisitos e ininteligíveis, mesmo as chamadas virtudes, dão origem a más acções.


E é nesta onda de pacifismo e tolerância pela merda que o Homem é que termino. Talvez isto não seja mais do que uma tentativa desesperada de ver a Humanidade e eu mesmo com outros olhos, olhos mais optimistas e menos acusatórios, mas não interessa. Foi, como disse, um excesso de velocidade na minha mente e como achei que tinha potencial, escrevi.

30 de julho de 2007

Ultraje

Acho sincera piada a todo o mediatismo que agora envolve os Simpsons, a sério que sim. A mim, que sou fã, já me enjoa. Foi no decorrer desta divulgação em grande escala que me surgiu uma estória, que passo a contar entre bocejos e "esfregadelas" de olhos, porque a hora não é nada própria (2:12). Vou, cobardemente, culpar essa mesma hora por qualquer erro, incoerência ou estupidez no texto que se segue.

Desde que ouviu falar pela primeira vez dos Simpsons, Carlos ficou interessadíssimo. Viu. As expectativas foram superadas, achou imensa piada à família amarela que fazia com que os americanos gostassem de se rir de si mesmos. A partir desse dia, ainda os desenhos eram primitivos, procurou nunca perder um episódio, sedento de novas razão para rir e para pensar. Ora um dia começa toda esta promoção exaustiva do filme. Reportagens para a frente, entrevistas para trás, merchandising para os lados... De um momento para o outro toda a gente é fã dos Simpsons sem nunca ter visto o rabo gordo e amarelo do Homer. Um dia, Carlos ficou a saber que a sua escola iria participar numa reportagem em que se procurava demonstrar o impacto que a Família de Springfield tem nos jovens. Carlos ficou entusiasmado, inteirou-se imediatamente de tudo: como ia funcionar, o que se tinha que fazer para participar. O trabalho do aluno eleito era simplesmente responder a perguntas feitas por um jornalista depois de ter exposto em linhas concisas mas claras, a razão pela qual gostava dos Simpsons. Carlos, como é óbvio, participou e ficou apurado para a final, a qual consistia num teste geral sobre os Simpsons. O teste pareceu-lhe bastante elementar, no entanto, havia duas perguntas completamente fora do contexto: eram sobre os títulos em BD dos Simpsons. Ele já tinha ouvido falar, mas como era medíocre em inglês e não conhecia edições em português, Carlos nunca tinha lido nada disso. Por isso, deixou essas duas por fazer, não querendo estragar a sua óptima pontuação, com duas respostas dadas à sorte. Do outro lado da sala, estava Mário, o sujeito mais popular da escola que, desde que os Simpsons se tornaram moda, vestia "à simpson": sempre com uma t-shirt do Homer a apregoar ao consumo de cerveja e a uma vida em frente da “interessantemente escravizante” televisão. Nunca tinha prestado atenção à quando o tempo de antena era de Springfield, nem tampouco se interessava por animação, a questão é que ele queria aparecer na televisão e para isso estudou como nunca para este teste, estudo que, devido a uma mãe preocupada e cheia de papel que o fez aprender inglês, incluiu a leitura das BD's dos Simpsons. Mário vai representar a escola, Carlos fica a ver a sua oportunidade de demonstrar o seu amor pelos Simpsons a ser roubada por alguém que só deseja protagonismo e que só quer demonstrar o grande amor que tem à sua própria popularidade.

Embora rebuscada e altamente duvidosa, esta estória tenta na sua humilde riducularidade ser uma metáfora para o que acontece hoje em dia com os famosos, as causas humanitárias e as pessoas que realmente se dedicam e fazem alguma coisa pelos mais desfavorecidos. De facto, eu estou farto de ouvir falar em Mários, de os ver em capas de revistas e na televisão a falarem do quão importante é ajudarmos os mais pobres, estou farto da publicidade frenética e memorizada que eles fazem; estou farto de ver as pessoas que trabalham pelos outros serem relegadas enquanto as que dão a cara pela causa são louvadas e admiradas; estou farto de ver que se esquecem daqueles que realmente defendem a causa, que lutam por ela com o pouco que têm; estou farto dos famosos humanitários que tão depressa abraçam uma causa como a atiram para o caixote das coisas que os ajudaram a aumentar a sua popularidade. É triste, é revoltante. É um ultraje!

São 2:39. O sono continua a apertar-me a cabeça pelo que acredito que as coisas ali em cima (o texto) não estejam como eu gostava, mas tinha de ser agora senão, a preguiça que o sol emana misturada com o calor faria com que eu me esquecesse e nunca mais escrevesse aqui.

E assim vivemos...